PESCADOR PORTOBELENSE : “Eu tenho muita sorte pra pescaria”
Manuel Francisco viveu altos e baixos na profissão que exerce desde os 14 anos de idade
“O segredo é fazer bem-feito”, responde Manuel Basílio Francisco, enquanto tece as malhas de uma rede de pesca na meia-água onde mora, fundos da propriedade de sua filha, no Vila Nova. O pescador de 69 anos nascido em Zimbros, atual bairro de Bombinhas, diz não temer concorrência nessa arte fundamental para a atividade que desenvolve desde pequeno.
“Eu comecei na pesca com 14 anos”. Na época, ele afirma, começava-se como aprendiz. Não havia salário, quando muito se levava algum pescado para casa. Depois de um ano nesse regime, Manuel disse ao pai, Basílio Honorato, que já bastava. Juntou-se com dois amigos e rumou para o Rio Grande do Sul. Do trio, somente Manuel voltou para casa. Os demais, o mar levou.
Depois de seis anos esquadrinhando a Lagoa dos Patos de uma margem à outra, Manuel deu baixa. Voltou para trabalhar com o pai, pescando camarão nas proximidades da baía de Zimbros. E seguiu atuando na região, ora na pesca da sardinha, em Itajaí, ora novamente no camarão. Era época de fartura de peixes e Manuel arriscou um lance ousado: contraiu empréstimo e comprou o próprio barco, um bote de doze metros.
Tudo ia bem, até que ele sofreu um acidente na altura de Paranaguá (PR). Enquanto se recuperava, os juros do banco foram às alturas, ao ponto de Manuel se ver obrigado a vender a embarcação. Pagou as contas e não sobrou mais nada. Foi um período de dificuldade, no qual teve que entralhar redes para sobreviver. Longe da pesca desde então, ele agora ensaia o retorno: adquiriu um novo barco e o está equipando. As redes já estão à espera.
“Eu tenho muita sorte pra pescaria”, garante Manuel, que espera reviver os bons momentos em alto-mar.
Manuel Francisco foi um dos indicados a Pescador Portobelense 2025, honraria concedida pela Câmara Municipal e entregue em sessão solene no último dia 26 de junho. Assista abaixo ao depoimento de Manuel:


