Aos 81 anos de idade, seu Abrahão Agripa da Luz tem um sentimento de gratidão pelo oceano
“O mar é a minha saúde”
Aos 81 anos de idade, seu Abrahão Agripa da Luz tem um sentimento de gratidão pelo oceano
“Eu posso dizer que sou pescador porque eu fui criado com a pesca”, afirma, do alto dos seus 81 anos de vida, Abrahão Joaquim Agripa da Luz. Natural de Zimbros, quando Porto Belo e Bombinhas faziam parte de um município só, seu Abrahão nasceu “na beira d’água”, como gosta de dizer, e dessa proximidade fez o seu meio de vida.
“Com oito anos eu já andava lá, pegando rede; com dez anos, eu já peguei a matar peixe lá no Arvoredo”, conta, referindo-se ao agora santuário delimitado pela Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, criada em março de 1990. Na época, o único meio de vencer as léguas de mar era impondo força aos remos, já que motor não havia. “Quem tinha motor era ricaço”.
O que havia era fartura: “Nós chegava a enterrar peixe na praia”.
Seu Abrahão teve a sua cota de pescarias em Santos (SP) e no Rio de Janeiro (RJ). Saiu com 19 anos, mas a aventura durou pouco: após três meses sentiu um inchaço no joelho direito, pediu desembarque e foi embora. Passou um período em Itajaí, até que, como conta, “peguei na corta e vim trabalhar no Perequê” — já havia se mudado para o Jardim Dourado.
Ficou no cerco de praia até uns anos atrás, quando vendeu a rede que tinha e decidiu: “Não vou trabalhar mais”. Só não desistiu de estar perto do mar, nem dos camaradas que ainda seguem o ofício e volta e meia o convidam para mais uma pescaria: “Mas eu tô me amarrando”.
O tanto de vida que já viveu ele atribui a essa proximidade: “O mar é a minha saúde”, diz.
Abrahão da Luz foi um dos indicados a Pescador Portobelense 2025, honraria concedida pela Câmara Municipal e entregue em sessão solene no último dia 26 de junho. Assista abaixo ao depoimento dele:

